Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Há muito, muito tempo...

Mais precisamente há vinte e um anos atrás vivi seguramente aquele que foi o primeiro momento mais feliz da minha vida. Conheci a minha filha mais velha e embarquei numa aventura de conhecimento, amor, sofrimento, orgulho, lágrimas, enfim de ser mãe...

Hoje a minha filha faz 21 anos! Como é que isto me foi acontecer a mim? Ainda ontem estava com ela no peito, pequenina, mais ou menos pequenina, pelo menos, e agora ela tem mais 20 centímetros que eu...

E lembro-me tão bem de tudo como se fosse hoje.

Ela nasceu às 9h15m da manhã, depois de umas três horas na maternidade, comigo muito bem comportada a respirar direitinho como me ensinaram na preparação para o parto, até chegar o momento.

Sala de parto, pai da criança à cabeceira... e... vai nascer a minha carequinha.

Primeira descoberta: olhe que ela de careca não tem nada!!, avisou a parteira. Passados uns segundos estavas deitada no meu peito agarrada ao meu dedo e a olhar para mim com uns olhos verdes lindos e muito abertos para o mundo. 

Nunca hei-de conseguir descrever tudo o que senti naquele momento. Por mais palavras que eu tente encontrar dentro de mim, elas nunca me parecem suficientes para todas as emoções que ainda hoje continuo sem conseguir descrever. A minha única certeza - eras a bebé mais bonita do mundo.

Mas é que eras mesmo!!! E até tenho testemunhas e tudo.

Nasceste linda, com uma pele cor-de-rosa, lisinha, os olhos grandes e verdinhos, as mãos compridas e fininhas e um ar muito sereno de bebé feliz.

Foi a loucura na família. O avô, nem preciso de te dizer, chorou mais do que tu ao nasceres, parecia que estava tolinho. A avó fez-se forte, claro, mas também não conseguiu evitar uma lágrima.

O pai olhava para ti como se fosses a oitava maravilha do mundo. Mas é que eras mesmo. Pelo menos para nós, claro.

Levamos-te para casa no dia seguinte e nessa primeira noite não consegui dormir. Ficava a olhar para ti deitadinha na alcofa ao lado da minha cama. Tão pequenina, tão linda, tão minha. 

Tive uma outra certeza - a minha vida nunca mais seria a mesma.

E outra certeza ainda - acabava de descobrir o amor. Incondicional e único. O amor que faz com que as mães sejam capazes de coisas que nem pensavam ser possíveis. O amor que nunca acaba, que cresce sempre mais e mais. 

E passei também nesse dia a saber, de facto o que é o medo. O medo só se descobre quando de repente somos absolutamente responsáveis por outro ser humano. Definitivamente. 

E o medo é terrível. Medo de falhar, de não ser capaz de identificar o choro, de não conseguir dar o primeiro banho, de não saber amparar nos primeiros passos. 

Medo do primeiro dia do infantário, da escola, das primeiras desilusões, de tudo.

As mães têm medo de tudo. Ou pelo menos eu tenho, o que já é alguma coisa, não é?

Essencialmente o medo, justificado, de não conseguir evitar que os filhos sofram. O que eu não dava para nunca vos ver, a ti e à mana, tristes, para nunca ver uma lágrima nos vossos olhos, nunca nada menos do que um gigantesco sorriso de felicidade.

No dia em que tu nasceste, meu amor, descobri também o orgulho. Um orgulho maravilhoso, bom de ter conseguido gerar dentro de mim e colocar no mundo uma coisa tão linda e perfeita como tu.

Até hoje estes continuam a ser os sentimentos dominantes sempre que olho para vocês as duas, amor, medo, orgulho. A ordem vai alternando, mas os sentimentos continuam os mesmos.

Acabámos por passar de duo a trio com o nascimento da I., e acho que criámos uma relação muito boa. 

Desde que vocês foram para a faculdade a minha vida não tem sido fácil, tenho tantas, mas tantas saudades vossas. Fazem-me tanta falta, as minhas princesas. Mas também tenho muito orgulho, cá está o orgulho outra vez, por estarem as duas tão responsáveis, felizes e a trabalharem para aquilo que desejam para as vossas vidas.

Hoje é um dia importante, fazes vinte e um anos. A minha menina, a minha bebé, já tem 21 anos. 

O maior cliché do mundo é aquele que toda a gente repete quando alguém tem um filho: "Aproveita bem que passa num instante". É um cliché, mas é o cliché mais verdadeiro do mundo. Passa de facto muito depressa. Demasiado. Ainda tenho tudo tão presente, gravidez, partos, bebés... E já são adultas. 

Parabéns meu amor, pelos teus maravilhosos vinte um anos.

Obrigada por seres minha filha, por seres a pessoa maravilhosa que és. Um bocadinho mau feitio (como a mãe), mas maravilhosa.

Amo-te muito, filha.

 

(Escrito a 8 de novembro de 2012)

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D