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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Polícias, velocidades e a minha indignação

Então hoje de manhã quando cheguei a casa com os jornais a primeira coisa que me saltou foi "Pai de Paulo Gonzo morre atropelado por um carro da polícia".

Segundo a publicação que eu li, o senhor, de 82 anos estava a atravessar a rua (fora da passadeira), quando um carro patrulha da PSP, que seguia em marcha de urgência, na zona de Benfica o atropelou. O senhor caiu e na sequência da queda sofreu ferimentos de vária ordem na cabeça, acabando por morrer no hospital.

A minha indignação não vem do facto de ele ser pai do Paulo Gonzo, como é óbvio.

A minha indignação tem outros contornos.

- Primeiro, porque raio é que um carro patrulha da PSP, segue em marcha de urgência (e a marcha de urgência não é para as ambulâncias?) a alta velocidade dentro de uma localidade, se segue em direção à esquadra e já leva lá dentro três presos? Ocorre-me que se os presos já tinham sido apanhados e já estavam controlados eles tinham tempo para chegar à esquadra e não havia necessidade de colocar cidadãos inocentes em risco, que como se verificou acabou por ser fatal. Ou será que os presos modernos têm prazo de validade e estava prestes a expirar?

- Segundo, alguém que me explique porque é que os senhores da PSP podem andar a alta velocidade numa zona urbana, sem qualquer motivo aparente. É porque se eu fizer o mesmo sou multada, apreendem-me a carta e se tiver o azar de atropelar alguém estou tramada para o resto da minha vida. Eu nem sequer posso andar a 150km/hora na autoestrada com um carro que parece que vai parado e é seguríssimo e eles podem exceder a velocidade dentro de uma localidade? Só porque são da polícia?

Ah e tal, nem quero imaginar como é que o condutor se está a sentir?

Nem eu, mas espero que se esteja a sentir bastante mal. É o mínimo, depois de ter morto um ser humano, inocente, que era o suporte da mulher, igualmente idosa e acamada.

Pronto, entra aqui o factor de eu não gostar especialmente de polícias e ter uma relação complicada com a implicância que eles têm comigo e com a velocidade a que eu conduzo. Só para que conste (o Diabo seja surdo, cego e mudo), nunca atropelei nem matei ninguém. Já me apeteceu várias vezes, mas nunca aconteceu.

A minha má relação com os polícias já vem de longe e tem os seus motivos.

Neste caso, lamento muito mas não consigo ser solidária com o polícia. Sou solidária com o Paulo, claro, que perdeu o pai desta forma violenta. Sou muito especialmente, solidária com a mãe dele que não deve estar em idade para aguentar este tipo de choque. E mais especialmente ainda com o senhor que morreu. 

Já pensaram? Uma pessoa chega aos oitenta e dois anos, sai de casa e de repente a sua vida acaba assim...

Tendo em conta que estamos em Portugal e com um bocadinho de sorte, a polícia ainda vai arranjar maneira de processar a vítima por ter atravessado fora da passadeira. O que, convenhamos não devia ter feito. Mas quem é que nunca o fez?

Então quando as passadeiras são como uma que existe ao lado da minha casa e que termina directamente num muro (sim escrevi bem, muro), não é assim tão difícil fazê-lo.

Esta história indignou-me. Muito. Acho lamentável que os polícias se julguem superiores a tudo e imunes. E que achem que as regras não se apliquem a eles.

Espero sinceramente que haja um inquérito e que o responsável seja punido. Exemplarmente para que os colegas comecem a pensar melhor.

Porque como eu já disse a um senhor fardado :"Não me fale nesse tom de voz. Quem lhe paga o ordenado sou eu e todas as pessoas que pagam impostos, o que faz de mim sua patroa e isso não é tom de falar com um patrão. O respeitinho é muito bonito".

Foi lindo, a sério! Eu do alto do meu metro e sessenta, bastante mal medido, a crescer para um polícia com o dobro do meu tamanho e o triplo da minha largura. 

Mas querem saber? Calou-se, respirou e baixou o tom de voz. Porque se ele e todos nós pensarmos bem, eu tinha razão. Nós somos oficialmente os patrões desta gente. E está na altura de começarem a mostrar mais respeito por quem lhes paga o ordenado.

Ah, porque pode acontecer a qualquer pessoa!

Pois pode. Mas se acontecer, essa pessoa está desgraçada para o resto da vida. Por isso reservo-me o direito de saber como vai terminar este caso. Vou estar atenta. 

E acho que alguém devia pensar na minha ideia, já um bocadinho antiga... Todos os cidadãos deviam ter o direito de andar munidos de um bloco de coimas (adoro esta palavra).

Vamos na rua: carrinho da polícia estacionado em cima do passeio enquanto o polícia vai ao multibanco. Sessenta euros de coima.

Carrinho da polícia em excesso de velocidade. Cento e vinte euros de coima.

E por aí fora. Sim, porque se eles podem, também deviam dar o exemplo. E não dão.

E até podiam dar um prémio ao melhor caça coimas do mês. Assim uma coisa do género - não pagar 50% de irs, ou uma outra coisa igualmente estimulante. Eu alinho e podem ter a certeza que vou arrecadar alguns prémios.

Aqui há umas semanas eu vinha do supermercado aqui ao pé de casa e vejo um belo carrinho da polícia estacionado em segunda fila, porque o senhor agente estva a levantar dinheiro no multibanco.

Não me contive: Desculpe, senhor agente, mas não acha que devia dar o exemplo e não deixar o carro mal estacionado?

O que é que você tem a ver com isso?

Tenho imenso. Para além de ser eu que lhe paga uma parte do seu ordenado (lá está), ainda por cima é uma falta de civismo da sua parte. Primeiro porque devia de facto dar o exemplo, depois porque se eu fizesse o mesmo o senhor multava-me, e depois porque está obviamente no seu horário de trabalho e anda a gastar o tempo e o dinheiro do estado, ou seja o nosso para tratar de assuntos pessoais. Logo, tenho tudo a ver com isso. Boa tarde e passe bem.

E o homem da farda ficou a olhar para mim sem palavras, e como eu não tenho matrícula, não pôde tomar nota e mandar-me a coima para casa.

Ah! Toma lá! Eu posso não conseguir mudar o mundo, mas calar-me é muito difícil. E recuso-me a deixar de tentar (mudar o mundo, entenda-se).

No dia em que eu me calar, tirem-me a temperatura, levem-me ao médico, qualquer coisa, porque podem ter a certeza de que, das duas uma: ou eu estou muito doente, ou fui raptada por extraterrestres que se apoderaram do meu corpo.

Porque eu sem refilar não sou eu. Ai não sou não.

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