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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Quando nos morre um filho...

“Quando nos morre um filho, somos nada…”
Esta frase foi-me dita por uma mãe que perdeu um filho e ficou-me gravada na memória para sempre. É tão anti natura que os pais sobrevivam aos filhos, que nem existe uma palavra nos dicionários para os adjetivar.
Não sei, e espero nunca saber o que Judite Sousa está neste momento a sofrer. Um filho vive dentro da mãe, cresce dentro de nós, mexe-se e reage ao contacto da mãe ainda antes de se dar a conhecer ao mundo. Um filho é “carne da nossa carne”. E está tudo dito. É impossível que não nos doa tudo o que diz respeito à nossa carne. Seja qual for o motivo, a circunstância, uma mãe nunca poderá estar preparada para a morte de um filho. A vida, tal como a conhecemos nunca mais poderá ser a mesma.
Sendo mãe, este é um assunto que me toca particularmente. Sempre que ouço notícias da morte de crianças, jovens, o meu primeiro pensamento vai para as mães. As mães, que sofrem desde o momento em que sabem que têm um filho dentro de si. Que, diga-se o que se disser, o amam desde esse momento, para sempre, incondicionalmente.
“O André é o meu maior feito e o único homem que nunca me desiludiu”, afirmou Judite Sousa no lançamento do livro sobre a vida de Álvaro Cunhal, onde o filho esteve presente a apoiar a mãe, que estava fragilizada depois do divórcio de Fernando Seara.
Falei nesse dia com Judite, cujos olhos se iluminavam sempre que olhava para o filho ou falava sobre ele. Como todas as mães.
A imagem que me ficou da Judite foi muito diferente daquela que tinha quando a via no ecrã. A jornalista dura, profissional, pareceu-me uma mulher frágil, delicada, terna, sorridente, mas com uma tristeza no olhar. Acredito que tenha sido no André, o filho que quis e que sempre a quis, que tenha encontrado força para ultrapassar os obstáculos da sua vida. Como todas as mães. No seu caso, mais expostos devido À sua profissão.
Gostei dela. Gostei da forma como olhava para mim sempre que respondia à perguntas que lhe fiz. Gostei da forma como sorria sempre que falava do filho. Gostei do orgulho na sua voz. Gostei do orgulho do filho quando olhava para ela. Gostei de sentir que, para além da profissional, existe uma mulher como todas as outras. O que é normal, mas que nem sempre se percebe.
Fiquei chocada com a notícia da morte do seu filho. Parece-me muito, mas muito difícil que Judite consiga superar esta perda. O filho era, ao que me pareceu o centro do seu mundo, a sua força anímica, o seu oxigénio…
Acredito que os amigos e a família não a deixem sozinha. Espero que os meu colegas jornalistas o façam. A dor é uma coisa privada. Não precisa de testemunhas públicas. A dor de uma mãe tem obrigatoriamente de ser respeitada. A da Judite e a de todas as mães que perdem os seus filhos.
Tinha tanta coisa para escrever sobre isto. Mas até a mim me faltam as palavras. Saiba apenas que o meu coração está consigo neste momento. Porque também sou mãe. Porque as minhas filhas são o melhor de mim, a minha força anímica, o meu oxigénio. Porque não consigo imaginar o meu mundo sem elas. Porque gostei de si e do seu olhar. Gostei da forma como falou do seu amor pelo seu filho.
Se conseguir não pense no eu perdeu. Pense apenas que ganhou 29 anos de amor, orgulho e, ao que me pareceu, muita cumplicidade.
Pense que o seu filho não gostaria de a ver chorar. Porque os filhos não gostam de ver as mães tristes. Pense que ele a amou sempre e para sempre…

Merkel, o nosso karma

Merkel, die Ziege.

Ou em português, Merkel, a cabra, ou bode, não sei muito bem que o Google tradutor não é muito bom a definir masculinos e femininos. Mas dá para perceber a ideia, certo?

A imagem da chanceler a aplaudir de pé o segundo golo da Alemanha acabou por ser pior do que a porcaria do golo. Eh pá, nós sabemos que é o país dela e isso tudo. Mas depois de andarmos aqui a ser roubados a mando dela (enfim, há outros, mas ela esteve na linha da frente), vê-la a festejar a nossa tristeza parece que dói um bocadinho mais que o resto. Custou um bocadinho. Pronto, um bocado grande.

Agora em relação ao jogo…

Eu sou uma negação em termos futebolísticos, mas a verdade é que os Quinas não jogaram porra nenhuma. Parecia que estava tudo a dormir. Até o CR, que é só o Melhor do Mundo, se mostrou desorientado, desconcentrado, descoordenado. Quando é que ele falha um livre daqueles? Nem parecia coisa do Ronaldo. Ai credo. A Dona Dolores deve ter tido mais um piripaque. Eu no lugar dela tinha e certeza.

E o Pepe? Era preciso? Ok, ele até tinha razão. O alemão era um impostor armado em ator dentro do campo e aquilo não é nenhum palco. É para jogar, não para representar. Se ele quer representar a tia Merkel de certeza que lhe arranja um teatrinho com o nome dela para ele treinar. Aposto que lhe vai dar uma medalha quando o puto regressar lá à terra dele, onde, aliás devia ter ficado de férias, que tinha sido bem melhor para nós. Ai…

Ainda voltando ao Pepe. Pronto, eu se calhar no lugar dele tinha feito bem pior. Mas ele se fosse esperto, tinha esperado pelo fim do jogo, apanhava o puto alemão e já agora o árbitro, o tal senhor Milorad Mazic, e dava-lhes um tratamento à séria, daqueles à antiga portuguesa. Agora no campo, depois do árbitro já ter mostrado de que lado estava, o resultado foi o que viu.

Vá, eu nem sou a favor da violência. Mas num caso destes não me parece que reste grande alternativa. Um árbitro tem de ser isento. Dois pesos? Duas medidas? Pelo menos já sabemos para onde foi uma parte do dinheiro que a p… da Merkel nos tem roubado. Para a continha bancária do senhor Milorad Mazic… Filho de p…

Na verdade, e tendo em conta que ele já tinha o cartão vermelho, podia ter aviado a criatura logo ali… Perdido por um, perdido por mil…

O senhor Milorad Mazic devia ter muita vergonha na cara. Fofo, até quando a pessoa é comprada pode ser um bocadinho mais discreta. Não é preciso dar tanto nas vistas. Que assim nem restam dúvidas. Só não sabemos quantos zeros tinha a transferência que a tia Merkel lhe fez. De resto, é óbvio que a vidinha do Mazic vai mudar para bem melhor. Com uma continha bancária muito mais confortável e recheadinha. Filho de uma p…, sem querer ofender a mãezinha do senhor, que coitada, não tem culpa de o filho, que provavelmente criou com tanto amor e carinho, se tenha tornado nisto. E prefiro nem definir o nisto porque senão o texto ainda vai ter mais pi’s, do que já tem.

Estas coisas irritam-me e não é pouco. Neste caso foi mesmo muito.

Foi uma tarde difícil. Muito difícil, mesmo.

Eu nem costumo ver os jogos para não me stressar, que eu sou uma pessoa que ferve em pouquíssima água, às vezes quase nenhuma e estas coisas não fazem bem ao coração de ninguém.

O Bentinho (Paulo Bento) que não comece rapidamente a tirar um curso intensivo de treinador que não é preciso. Raios partam o homem. É um burgesso do pior. Valha-nos Deus. E o Papa. E a Nossa Senhora de Fátima. E os outros santos todos que estejam disponíveis no momento e não cobrem honorários muito caros, que o pessoal está de tanga…

Eu é que tenho razão. Se não fossemos a estas coisas não passávamos vergonhas. Lembram-se do Mundial do México? Uma desgraça. Jogadores a perderem chuteiras no campo, uma vergonha. E pela amostra, no Brasil vamos pelo mesmo caminho.

As consequências disto são piores do que se pensa. O Ronaldo, se continuar como ontem, vai acabar o Mundial a valer menos de metade do que vale atualmente. O presidente do Real Madrid, a Dona Dolores, as manas e o mano Aveiro, e toda a gente que vive abastadamente à conta do puto da Madeira, já devem estar a arrancar os cabelos de desespero. Ai, o meu melhor jogador. Ai, o nosso banco privado. Ai, os cartões de crédito dourados… Pois é.

O Coentrão, coitado, ficou lesionado e, é quase certo, que não vai jogar mais no Mundial. E fica com o resto do verão estragado. E quem sabe com o quê mais. Que o rapaz caiu esmo mal e a cara que ele fez não enganou ninguém. Aquilo estava a doer a sério. Até a mim me doeu. Que o puto também já vale algum dinheiro. Aposto que o senhor lá do Real Madrid também lhe deu qualquer coisinha.

O que é que se aproveitou disto tudo? A companhia do jogo. Os petisquinhos que comemos e as cervejitas (poucas) que bebemos para afogar as mágoas de tanta desgraça.

Ao que consta, domingo há mais e contra os Estados Unidos. Que só por acaso ontem até ganhou ao Gana. Logo a moral dos americanos está em alta. Já a dos portugas… Nem vale a pena falar disso.

Resumo: Mate-se a Merkel, que é para aprender a ser mais comedida nos festejos que implicam sofrimento alheio. Mate-se o Mazic que é para não ser parvo, corrupto e não lhe dar hipótese de usufruir do dinheiro que a outra lhe pagou. E já agora, que estamos com a mão na massa, podemos aproveitar e limpar o puto dos três golos, só por causa das coisas… Era preciso tanto? Marcava um e pronto. Chegava muito bem.

Que nervos…

Um abraço quentinho

“Se me pedissem para contar a história de uma mulher a quem foi diagnosticado um cancro da mama, falaria dessa pessoa com o mesmo distanciamento com que falo de mim, quando conto a minha história. Ainda hoje me custa acreditar que me tenha acontecido a mim. Logo a mim...”.

Para quem não identificou o texto acima, pertence ao livro “Nunca Ninguém Sabe”, de Simone de Oliveira. Conta a história da sua luta contra o cancro.

E o livro é apenas mais um dos muitos motivos que fazem com que eu goste genuinamente de Simone de Oliveira. A forma despretensiosa com que relata a sua história é igual à forma como responde e fala de tudo. Admiro-a desde sempre. Uma mulher frontal, forte, lutadora, que a vida não poupou, mas que nunca virou as costas a uma luta, que enfrenta tudo com a mesma frontalidade com que nos dá as suas opiniões.

Apesar da imagem forte que passa para fora, desde sempre adivinhei que dentro de Simone de Oliveira também existe uma mulher com fragilidades, inseguranças, com medos… Como em todas as mulheres, mesmo nas mais fortes.

Em 1969, Simone de Oliveira venceu o Festival RTP da Canção, com o maior êxito da sua carreira - “Desfolhada Portuguesa”, da autoria de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, com orquestração do maestro Joaquim Luís Gomes e direção de orquestra por Ferrer Trindade.

“Desfolhada Portuguesa” foi a primeira letra de uma canção que eu aprendi de cor. E eu sei muitas letras de canções de cor. Sou um verdadeiro disco rígido de letras, em especial de canções antigas, quase do ano em que nasci, 1966 ou, em alguns casos, até anteriores. Tenho uma memória maravilhosa para letras de canções, que infelizmente, a minha voz não acompanha e se recusa a reproduzir no ritmo certo. Sou uma desafinada assumida e quase profissional. Mas como disse Tom Jobim: “No peito dos desafinados também bate um coração”. E no meu peito bate um, muitas vezes bastante acelerado pelas coisas de que gosta.

Voltando ao início, eu gosto, e muito, de Simone de Oliveira. Conhecê-la era um sonho antigo. Nem sou muito de ter a curiosidade de conhecer figuras públicas ou artistas. Até conheço bastantes por causa do meu trabalho. Mas para mim a Simone não é apenas uma figura pública, ou uma Artista, uma grande Artista. É muito mais. É uma mulher que eu sempre admirei desde miúda, cuja carreira acompanhei, cujas canções aprendi de cor e salteado, cuja coragem e força me inspirou.

Sigo atentamente todas as suas entrevistas, vejo os programas de televisão onde participa, em especial quando são entrevistas onde fala de si e da sua história de vida.

Ontem foi a noite de concretizar o meu sonho. Conhecer finalmente a Simone de Oliveira. E para isso, esperei pelo final do concerto, em Santarém, era a primeira da fila para entrar e conhecer os artistas. Acho que nem nunca tinha feito isto a título pessoal, só profissional. Mas ontem fi-lo.

Finalmente entrei num pequeno camarim e fiquei frente a frente com Simone de Oliveira. A mulher que admiro desde pequena. Fiquei quase sem palavras, logo eu que tenho sempre tanta coisa a dizer…

Mas às vezes as palavras são pouco para o que queremos dizer às pessoas de quem gostamos. Pelo menos isso consegui dizer-lhe. “Gosto muito de si, tenho uma profunda admiração por si, pela profissional, mas acima de tudo, pela mulher. Pela coragem e força que transparece. Gosto de si desde menina. A sua “Desfolhada” foi a primeira canção que eu aprendi de cor e desde então acompanhei sempre o seu percurso, li o seu livro, acompanho a sua vida. Gosto muito de si. Posso abraçá-la?”.

Na sua imensa generosidade, Simone abriu os braços e o nosso abraço foi muito bom, longo e apertado como um “abraço quentinho”, assim o definiu, deve ser. Emocionámo-nos as duas. Eu emocionei Simone de Oliveira.  Meu abraço, a minha admiração por ela, emocionou-a.

Foi um momento tão, mas tão bom. Faço anos daqui a dois dias e este foi sem dúvida um fantástico presente antecipado de aniversário.

Lamechas? Pode ser. Assumo que sou. Mas com vergonha de o admitir? Nunca. Adoro ser lamechas se isso implica dar a conhecer os meus sentimentos às pessoas. Se Simone se emocionou com o meu “abraço quentinho” foi porque sentiu nele o carinho que lhe tenho. Porque as pessoas sentem quando se gosta verdadeiramente delas ou se finge um sentimento.

Simone é uma mulher linda. No seu rosto enrugado, podemos ler a sua história, as alegrias e as tristezas, as dores e os bons momentos. Tem um olhar doce e maravilhoso e olha as pessoas de frente, tal como sempre olhou a vida.

Quero agradecer ao meu marido por ter permanecido estoicamente à espera para que eu pudesse concretizar o meu sonho.

Mas, acima de tudo, quero muito agradecer a Simone de Oliveira pela forma generosa como me recebeu, sorriu para mim, me acolheu no seu abraço e se emocionou com a minha emoção. Vou continuar a gostar muito de si. Agora mais ainda, porque como diria Bogart: “Teremos sempre o nosso abraço quentinho”. Muito obrigada por ele. 

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