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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Quando nos morre um filho... Continuo sem entender

 

Quando acabei de ler e transcrever o texto abaixo nem preciso de dizer a quem me conhece que as lágrimas me corriam livremente pelo rosto.

O texto é da Judite Sousa, que perdeu o seu filho único e que não consegue, naturalmente lidar com a sua dor. Porque não a consegue entender. Porque ninguém consegue entender porque é que uma mãe tem de enterrar um filho.

Escreveu Judite:

“Meu Deus e meu Pai,
Desfeito em átomos de água, partiu hoje para o teu infinito o filho que me deste.
Gerei-o com amor, criei-o com carinho e eduquei-o o melhor que soube. Foi meu companheiro e meu ânimo nas muitas tempestades que tenho atravessado.
Hoje não tenho nada. O muito que tinha foi para junto de ti.
A sua alma de menino e o que restou do seu corpo de anjo também já foi desfeito em fumo.
Estou só.
Terrivelmente só.
Só como há séculos, quando a tua mãe, nossa Senhora, te acolheu no regaço depois de te despregarem da cruz no calvário.
Eu agora nada tenho.
Nas distorcidas imagens que os meus olhos rasos de lágrimas salgadas e já secas, vejo nitidamente, o teu rosto misericordioso.
No plano infinito da eternidade já está o meu menino. Tapa-o com o teu manto divino que as noites são frias para lá do Universo, ele é um bom menino. 
O meu menino!
E se vires que pode merecer alguma coisa da dor desta perda sem remédio, rogo-te, meu Pai, que pronto me leves a vê-lo, que nestes dias as saudades apertam mais este meu coração trespassado pela dor.
Eu só fui mãe deste filho.
Hoje, já não sou mais mãe de ninguém”.

A Judite é crente. Tem a sua fé e tem Deus. Está a tentar agarrar-se a isso.

Eu não sou crente e não tenho fé nem Deus. Perante estas atrocidades cada vez me sinto menos crente, tenho menos fé e menos Deus.

Deus não é Amor? Deus não é Compaixão? Então onde está a Sua Compaixão perante a dor das mães que têm de enterrar os seus filhos? Onde está o Seu Amor por elas e por tantos e tantos milhares de crianças, jovens e jovens adultos, filhos de alguém que morrem diariamente? Que justificação conseguem os fiéis encontrar para uma crueldade tamanha?

Que me desculpem os crentes. Eu respeito a fé, a crença e o Deus de todos os que Nele acreditam. Mas sempre que olho à minha volta não consigo acreditar Nele. Que me desculpem, mas Amor, Perdão, Compaixão, Generosidade não me parecem compatíveis com a realidade. Que me desculpem… Mas mãe nenhuma merece enterrar os seus filhos. 

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