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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Miguel Relvas está apaixonado

Quando li as notícias até fiquei comovida...

Tão lindo, o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares está apaixonado. Que bom! Afinal começamos a ter esperança de encontrar vestígios humanos no governo. Quer dizer, se se apaixonam devem ter qualquer coisa de humano, não é?

Digo eu, claro, mas francamente tenho muitas dúvidas. Esperança tenho, mas tenho mais dúvidas.

Até achei giro o ministro, que afinal alugou uma casinha em Belém para viver com a sua Martinha, mas parece que tem residência oficial em Tomar, por causa de um pormenor financeiro relacionado com ajudas de custo e subsídio de deslocação, está apaixonado.

De certa forma isso até explica o ar meio tontinho que ele tem ultimamente. Eu primeiro pensei que era por causa da licenciatura instantânea, mas afinal é porque está apaixonado. Ora ainda muito bem para ele, que também tem direito à vida e ao amor e a ser feliz (este é o momento da ironia deste post. Aproveitem bem, que pode não existir outro).

Quero esclarecer que eu não tenho nada contra, nem a favor, nem assim assim em relação a este senhor Relvas, de seu nome.

Por acaso faz-me um bocadinho de impressão os nomes destes governantes, Relvas, Coelho, Portas, estão a perceber? São tudo animais, ou coisas úteis ou bonitas, nada como os próprios...

É-me tão indiferente como os seus colegas de governo, respetivos assessores, assessoras, namoradas, namorados, mulheres, maridos, amantes e etcs. Estou-me absolutamente nas tintas para a vidinha deles, que a minha já me dá bastante o que fazer.

Gostei foi do timing escolhido para a divulgação desta informação. Desenganem-se os que estão a pensar que a notícia foi resultado de uma investigação jornalistica profunda, isso hoje em dia quase não existe, até porque a internet exige rapidez e não perfeição. Foi resultado, sim, mas de uma chamada "fuga de informação", uma daquelas maravilhosas "fontes que preferem não se identificar", mas que são sempre "muito próximas" dos alvos das notícias.

E tenho que lhe reconhecer alguma inteligência e até benevolência.

Com todo o escândalo da licenciatura instantânea na ordem do dia, ele podia ter optado por desviar as atenções aumentando os impostos, sendo apanhado a fumar (não sei se fuma, mas em caso de necessidade...) num local proíbido, apanhado a fazer as suas necessidades fisicas de carácter líquido de encontro a uma das paredes exteriores da assembleia, pintado o cabelo de vermelho ou verde, ou azul, ou um mix de várias cores, mas não. Ele foi inteligente e escolheu apaixonar-se. Pronto, está bem, se calhar não escolheu, já se tinha apaixonado, mas escolheu divulgar este facto.

É sabido que nada fala mais caro aos corações portugueses do que o amor. Um ministro apaixonado é lindo (afinal sempre existiu outro momento irónico).

E pergunto eu: Que raio é que nós temos a ver com a vida sentimental, sexual, caseira e afins do senhor Relvas?

Nada, rigorosamente nada, mas serve para nos distrair de coisas mais interessantes e consequentemente mais incómodas para o senhor. Sim, que ninguém gosta de saber que as suas habilitações literárias e académicas andam nas bocas do povo.

Imaginem se uma coisa destas chega aos ouvidos da tia Merkel. Havia de ser bonito!

"Was? Ein Minister in der Liebe? Er hat nicht zur Arbeit gehen, um im Haus Flunder! Sie sind gefeuert!" (espero que isto esteja bem escrito), que é como quem diz: "O quê? Um ministro apaixonado? Ele tem que trabalhar e não andar aos linguados na assembleia! Está despedido!". O que seria! A juntar a isto acrescia ainda o facto de não ser afinal um verdadeiro doutor.

Uma vergonha! Um Escândalo nacional! Uma crise dentro da crise! Nem quero pensar. Sim que dá-me ideia que a tia Merkel não é  pessoa para achar piada ao amor. Olhando para ela eu diria que nunca se apaixonou, tadinha. Eu sei que ela é casada, mas isso só pode ter sido fruto de estratégia política. Se ela tivesse assumido que odeia os homens no geral e a humanidade em particular ninguém lhe dava crédito. É certo que normalmente é mais ela a dar crédito aos outros, mas cobra-se bem e os juros são muito altos. Adiante...

A tia Merkel vinha a Portugal, irrompia pela Assembleia e desatava a insultar os deputados (o que até era uma forma de solidariedade para com os portugueses, que não desejam outra coisa), com a desvantagem de ser em alemão e eles, coitados, muito provavelmente não perceberem nadinha e acharem que ela estava a dilatar o prazo do acordo de ajuda financeira.

De esperança continuaremos a viver. Agora com a novidade fresquinha do senhor ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares estar apaixonado. Ainda bem. Vou dormir muito melhor, muito mais feliz e muito, mas mesmo muito menos preocupada com o facto de ter duas filhas para mandar para a faculdade em setembro e não saber muito bem como pagar as contas.

Mas isso agora, como diria a outra senhora, não interessa nada.

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