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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Um abraço quentinho

“Se me pedissem para contar a história de uma mulher a quem foi diagnosticado um cancro da mama, falaria dessa pessoa com o mesmo distanciamento com que falo de mim, quando conto a minha história. Ainda hoje me custa acreditar que me tenha acontecido a mim. Logo a mim...”.

Para quem não identificou o texto acima, pertence ao livro “Nunca Ninguém Sabe”, de Simone de Oliveira. Conta a história da sua luta contra o cancro.

E o livro é apenas mais um dos muitos motivos que fazem com que eu goste genuinamente de Simone de Oliveira. A forma despretensiosa com que relata a sua história é igual à forma como responde e fala de tudo. Admiro-a desde sempre. Uma mulher frontal, forte, lutadora, que a vida não poupou, mas que nunca virou as costas a uma luta, que enfrenta tudo com a mesma frontalidade com que nos dá as suas opiniões.

Apesar da imagem forte que passa para fora, desde sempre adivinhei que dentro de Simone de Oliveira também existe uma mulher com fragilidades, inseguranças, com medos… Como em todas as mulheres, mesmo nas mais fortes.

Em 1969, Simone de Oliveira venceu o Festival RTP da Canção, com o maior êxito da sua carreira - “Desfolhada Portuguesa”, da autoria de José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes, com orquestração do maestro Joaquim Luís Gomes e direção de orquestra por Ferrer Trindade.

“Desfolhada Portuguesa” foi a primeira letra de uma canção que eu aprendi de cor. E eu sei muitas letras de canções de cor. Sou um verdadeiro disco rígido de letras, em especial de canções antigas, quase do ano em que nasci, 1966 ou, em alguns casos, até anteriores. Tenho uma memória maravilhosa para letras de canções, que infelizmente, a minha voz não acompanha e se recusa a reproduzir no ritmo certo. Sou uma desafinada assumida e quase profissional. Mas como disse Tom Jobim: “No peito dos desafinados também bate um coração”. E no meu peito bate um, muitas vezes bastante acelerado pelas coisas de que gosta.

Voltando ao início, eu gosto, e muito, de Simone de Oliveira. Conhecê-la era um sonho antigo. Nem sou muito de ter a curiosidade de conhecer figuras públicas ou artistas. Até conheço bastantes por causa do meu trabalho. Mas para mim a Simone não é apenas uma figura pública, ou uma Artista, uma grande Artista. É muito mais. É uma mulher que eu sempre admirei desde miúda, cuja carreira acompanhei, cujas canções aprendi de cor e salteado, cuja coragem e força me inspirou.

Sigo atentamente todas as suas entrevistas, vejo os programas de televisão onde participa, em especial quando são entrevistas onde fala de si e da sua história de vida.

Ontem foi a noite de concretizar o meu sonho. Conhecer finalmente a Simone de Oliveira. E para isso, esperei pelo final do concerto, em Santarém, era a primeira da fila para entrar e conhecer os artistas. Acho que nem nunca tinha feito isto a título pessoal, só profissional. Mas ontem fi-lo.

Finalmente entrei num pequeno camarim e fiquei frente a frente com Simone de Oliveira. A mulher que admiro desde pequena. Fiquei quase sem palavras, logo eu que tenho sempre tanta coisa a dizer…

Mas às vezes as palavras são pouco para o que queremos dizer às pessoas de quem gostamos. Pelo menos isso consegui dizer-lhe. “Gosto muito de si, tenho uma profunda admiração por si, pela profissional, mas acima de tudo, pela mulher. Pela coragem e força que transparece. Gosto de si desde menina. A sua “Desfolhada” foi a primeira canção que eu aprendi de cor e desde então acompanhei sempre o seu percurso, li o seu livro, acompanho a sua vida. Gosto muito de si. Posso abraçá-la?”.

Na sua imensa generosidade, Simone abriu os braços e o nosso abraço foi muito bom, longo e apertado como um “abraço quentinho”, assim o definiu, deve ser. Emocionámo-nos as duas. Eu emocionei Simone de Oliveira.  Meu abraço, a minha admiração por ela, emocionou-a.

Foi um momento tão, mas tão bom. Faço anos daqui a dois dias e este foi sem dúvida um fantástico presente antecipado de aniversário.

Lamechas? Pode ser. Assumo que sou. Mas com vergonha de o admitir? Nunca. Adoro ser lamechas se isso implica dar a conhecer os meus sentimentos às pessoas. Se Simone se emocionou com o meu “abraço quentinho” foi porque sentiu nele o carinho que lhe tenho. Porque as pessoas sentem quando se gosta verdadeiramente delas ou se finge um sentimento.

Simone é uma mulher linda. No seu rosto enrugado, podemos ler a sua história, as alegrias e as tristezas, as dores e os bons momentos. Tem um olhar doce e maravilhoso e olha as pessoas de frente, tal como sempre olhou a vida.

Quero agradecer ao meu marido por ter permanecido estoicamente à espera para que eu pudesse concretizar o meu sonho.

Mas, acima de tudo, quero muito agradecer a Simone de Oliveira pela forma generosa como me recebeu, sorriu para mim, me acolheu no seu abraço e se emocionou com a minha emoção. Vou continuar a gostar muito de si. Agora mais ainda, porque como diria Bogart: “Teremos sempre o nosso abraço quentinho”. Muito obrigada por ele. 

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