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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

The final countdown

E 2012 está, como se diz na minha terra, a dar as últimas.

É nesta altura que se começa a fazer os tão famosos balnaços: se o ano foi bom ou mau, se conseguimos alcançar os nossos objetivos, se...

E também quando toda a gente procura desesperadamente uma festa onde passar a meia noite de 31 de dezembro para 1 de janeiro, e onde se possa divertir o mais possível. 

Este ano estou sem a menor pachorra para me produzir com hora marcada, me enfiar numa festa, onde nada me garante que me vá realmente divertir e no geral sem vontade de sair de casa de todo. Se me perguntarem, eu quero mesmo é umas leggings, uma camisola confortável, uma bela almofada no sofá, uma garrafa de espumante, as doze passas e se o meu marido quiser ficar sentadinho ao pé de mim tudo bem, e se não quiser tudo bem também. 

Não me apetece simplesmente estar no meio das pessoas, dar e receber beijinhos e votos mais ou menos sincero-hipócritas de Bom Ano, e etc.

Não me apetece, pronto. Sinto-me muito antisocial, muito sem vontade de nada, sem energia...

Começo verdadeiramente a achar que é a idade a dar conta de mim.

Tenho-me lembrado muito do meu avô nos últimos dias. Lembro-me sempre dele, mas nos últimos dias tem sido mais frequente e tenho muitas saudades dele. Dou por mim a pensar se ele concordaria com as minhas opções para a minha vida, se teria orgulho em mim, o que teria para me dizer, que conselhos me daria...

O meu avô morreu quando eu tinha doze anos, tenho quarenta e seis e sinto cada vez mais saudades dele. Ele faz-me cada vez mais falta.

É mentira que o tempo cura tudo. A saudade não tem cura e pelos vistos aumenta com o tempo. O meu avô deixou-me muita saudade, não me despedi dele e isso dói-me até hoje. 

Eu sei, sempre soube, sinto que ele toma conta de mim, de alguma forma, mas tenho muitas saudades de ouvir a voz dele, de ver as rugas do seu rosto, de olhar para os olhos azuis do meu avô.

Nesta altura de balanços, eu também faço os meus.

Será que o meu avô concordava com o que eu fiz nesta ou naquela situação, será que estava orgulhoso de mim por isto ou por aquilo, será que?

Avô, continua por favor a manter-te perto de mim, a olhar por mim.

Tenho muitas, muitas saudades tuas e tenho uma mágoa muito grande de não me ter despedido de ti. 

Qaundo tu morreste eu já não te via há uns meses e não fui capaz de olhar para ti no teu caixão. Se fosse hoje, se eu soubesse como era importante, teria olhado, ter-me-ia, ainda que em silêncio despedido de ti.

Beijinho grande, avô Álvaro. 

 

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