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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Comentários na net!

(Post escrito originalmente a 13 de outubro, dias depois da morte de Fátima Raposo)

Esta é uma daquelas coisas que me faz mesmo confusão.
Quando não temos nada para dizer o melhor é calarmo-nos. Certo?
Pelo menos foi assim que sempre me ensinaram.
Já repararam que os comentários das pessoas na net a notícias, fotos, etc, é sempre
negativo?

Pior, já repararam como as pessoas escrevem mal hoje em dia?
Não há respeito pelas maiúsculas e minúsculas, pelas vírgulas ou pontos finais.
Enfim, não há respeito pela língua portuguesa. Não que eu seja, obviaemente perfeita, tenho um enorme problema com vírgulas, mas mesmo assim.
Hoje atingi o meu limite com os comentários feitos no SapoFama, à reportagem sobre o velório da Fátima Raposo.
Os portugueses são tétricos, macabros.
Acham que devia estar toda a gente lavada em lágrimas, a chorar baba e ranho e a assoar os narizes até lhes gastar a pele.
Como se a dor das pessoas se medisse pelas lágrimas que choram em público!
Como se a dor não ficasse para sempre alojada nos corações de todos os que gostavam da Fátima.
Eu conheci a Fátima. Não éramos amigas, nem nada disso. Passámos umas férias juntas porque o namorado que ela tinha na altura e o meu marido, que ainda tenho, são amigos há muitos anos.
Quando soube do acidente fiquei chocada.
Somos da mesma idade e a filha dela é mais ou menos da idade das minhas.
Durante o tempo em que convivi com ela, achei-a uma pessoa muito meditativa e introspectiva. Metida no seu mundo.
Muito sensível, o que explica a sua opção pela pintura e filosofia de vida que escolheu nos últimos anos.

Não tinha idade para morrer. Mas nunca ninguém tem...
Enquanto as pessoas que comentaram a notícia viram os sorrisos, eu vi os olhos.
Vi os olhos tristes e cheios de dor do Zé Manel Saraiva e da Palmira Correia.
Vi os olhos da Inês Pais.
Vi os olhos tristes das pessoas. Vi as bonitas tentativas das amigas da Inês para a animarem. E arrancaram-lhe uns sorrisos. Ainda bem. É bom que ela não tenha perdido a capacidade de sorrir.
Onde quer que esteja a mãe vai querer que ela continue a sorrir. Não é o que todas as mães querem?
As pessoas deviam pensar melhor antes de darem palpites sobre assuntos, que não lhes dizem respeito e sobre os quais nada sabem.

A morte das pessoas não tem forçosamente que significar o fim e dependendo de quem parte e da sua postura perante a vida, assim deve reger-se a homenagem que lhe prestam os que ficam.

Eu deixo já aqui bem explicadinho que não quero lágrimas, nem tristezas. Quero que façam um brinde e leiam Fernando Pessoa. Quero que passem a música "Índia" de Gal Costa e quero ser cremada e que as minhas cinzas sejam levadas para um sítio quente, de preferência no Brasil, de preferência no "Sítio do Bruxaxá", que significa lugar de encantamento. É isso que quero e não amarguras.

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