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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

A antiguidade nem sempre é posto

Durante muito tempo sempre que alguém referia o termo "amigo/a de infância" ficava triste. Que eu me lembre só tenho uma amiga de infância, uma miúda mais nova do que eu a quem até mudei fraldas (temos uma diferença de 9 anos) e que até considero assim uma espécie de filha mais velha. De tal forma que quando nasceu a filha dela a mensagem no meu telefone era: "Já és avó. a H. nasceu hoje...". De resto da minha infância não sobrou muito. Vivia um bocadinho isolada e quando eu era miúda poucas pessoas tinham telefone, internet e telemóveis ainda estavam por inventar, por isso não era fácil.

Depois também mudei várias vezes de escola, e quando me separei e saí do bairro onde cresci, acho que o meu cérebro criou defesas e apagou muita coisa do chip. Sempre que vou visitar os meus pais e eles me começam a falar de pessoas que vivem ali e que conheci desde miúda, juro que faço um esforço, mas não me lembro nem das caras dessas pessoas. Chega a ser estranho e às vezes embaraçoso, que a minha mãe não é pessoa para desistir facilmente. "Não lembras? Claro qeu lembras. Aquela..." E eu nada de me lembrar.

Tenho vivido estes anos todos (46), com a sensação de ser uma pessoa diferente, porque toda a gente tem amigos de infância e eu só tenho a minha I., que adoro, mas sempre achei que precisava de ter mais alguns.

Tenho outros amigos, claro, que fiz já em adulta e com quem posso contar para tudo. Tenho a A., o F., tenho a L. e mais uns quantos, mas não muitos. Tenho muitos conhecidos e alguns mais próximos que outros, mas amigo é uma palavra que reservo só para alguns.

Recentemente descobri que as amizades para serem fortes e sólidas não precisam de ser de infância e que podemos conhecer uma pessoa há meia duzia de anos e sentir por ela uma "amizade de sempre".

É o caso da R. e do M.. Conhecemo-nos um pouco por acaso, o M. descobriu que o meu marido tinha sido amigo do pai dele. Começámos a sair à noite e Karaokes, jantares e copos (com ressacas medonhas) transformaram-nos em verdadeiros amigos.

Fomos os primeiros a saber do pedido de casamento e convidados para padrinhos do mesmo. Fiquei muito feliz. Gosto muito, mas muito da R. e do M. e estou muito orgulhosa por me terem escolhido para madrinha. Como disse o M.: "Faz todo o sentido, porque são amigos que fizemos enquanto casal".

A R. e o M., têm assim muitos amigos de infância e escolheram-nos a nós para testemunharmos o dia em que vão oficializar o amor deles perante amigos e família, porque acham que temos importância na vida deles.

Tenho que confessar que já estava a precisar de uma amiga como a R. que também é apaixonada por livros e compras e roupa e com quem se pode ter uma conversa sem que o tema seja dizer mal do marido, que é uma coisa que a mim não me assiste, mas que infelizmente parece ser o passatempo preferido da maior parte das minhas conhecidas. Mas com quem também se pode simplesmente deitar conversa fora - falar, falar e não dizer nada, coisa que todas as mulheres fazem.

De vez em quando toda a gente se queixa um bocadinho, mas fazer disso tema de 99% das conversas parece-me deprimente. Todos os maridos têm defeitos, tal como todas as mulheres têm defeitos. Não existe a perfeição e por isso as pessoas ou aceitam o que têm ou então vão à procura de melhor. Que mania de se queixarem.

Quando estamos com as amigas é suposto que seja para soltar a franga, como fizemos eu, a R. e a S., na semana passada. Conversámos de tudo, maridos incluídos, claro, mas sem amargos de boca, rimos até mais não, jantámos juntas num sítio maravilhoso e foi um fim de tarde de lavar a alma que fez bem às três.

A R. é uma miúda maravilhosa, tem um ótimo feitio e está sempre de bem com a vida. Às vezes também tem os stresses dela, como é óbvio, mas não temos todos?

Francamente já não tenho idade para ir almoçar com alguém e passar o tempo todo a ouvir: "o meu marido não me liga nenhuma, chega a casa e deita-se no sofá a ver televisão, só sai ...". Estão a ver o género?

Comecem a fazer alguma coisa mais útil da vossa vida. Sinceramente, muitas delas, se eu fosse casado com elas, também chegava a casa e me deitava no sofá. São, como se diz na minha terra, desenxabidas, insonsas, sem substrato...

Não comecem a pensar que eu me acho o suprasumo do interesse. Não é nada disso, mas deve ser uma seca aturar alguém que só se queixa e não faz nada para mudar as coisas. Que tal arranjarem uma vida? Um hobby? Um workshop? Sei lá, qualquer coisa! Um curso de dança de varão, por exemplo!

Voltando às amizades, comecei a chegar a conclusão que mais importante do que ter "amigos de sempre" é ter amigos a sério, daqueles que estão sempre lá e nos lavam a alma. Ah, e nos aconselham a dar outra oportunidade ao Saramago. Coisa que eu prometo fazer nos próximos tempos.

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