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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

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A Farsa

Fui ao Teatro Nacional D. Maria II ver A Farsa com uma atriz que, confesso envergonhadamente, não conhecia, a Sara Carinhas, mas que já ganhou mais uma fã.

A Farsa é um texto de Raúl Brandão centrada no ódio recalcado de Candidinha, uma mulher seca, triste e desesperada.

A Sara surge em cena nua, de roupa, mas completamente vestida de talento, de expressão. Ficamos expectantes a olhar para as transformações que o seu corpo nos mostra. A forma como se metamorfoseia na frente dos poucos espectadores que a Sala Estúdio permite, e ainda bem, porque é um texto para se viver com a atriz e não para se ver de fora.

“Vinda de um lugar fantasmagórico, uma voz grita dilacerada: ‘Ai que ma levam’ e, num ápice, o escuro profundo da sala estúdio do Teatro Nacional D. Maria II transforma-se num velório onde distinguimos Anacleto, viúvo que ‘berra sacudido pelo desespero’, Candidinha sentada num xaile coçado, Felícia cidadã honorária das servas de Deus, Patrícia de peito volumoso e mole, o escrivão Belisário ‘todo sebo’... são muitas as personagens em torno da morta mas todas elas acontecem num só corpo, o de Sara Carinhas, atriz, bailarina e performer que aqui explora os seus limites”, assim é apresentada a peça e assim é entendida pelos espectadores.

 

Confesso que no início quando avisam que o espetáculo terá a duração cerca de duas horas e meia, fiquei um bocadinho em pânico, mas a verdade é que as duas horas e meia passam rapidamente e de forma absorvente. Mesmo numa sexta-feira, no final de um dia de trabalho, o quinto de uma semana de trabalho, mesmo depois de uma pessoa se ter levantado às sete da manhã e ter dormido cerca de três horas, é impossível não centrar a atenção na (Candidinha) Sara Carinhas.

 

Na segunda parte somos convidados a circular pelo espaço de cena para melhor absorvermos o percurso da personagem que se move cegamente (mesmo cegamente) pelos vários nichos onde vai de alguma forma cumprindo o seu destino, é absolutamente avassaladora. A Candidinha que vê o seu sonho ruir e que vê o seu destino cada vez mais sombrio…

 

E portanto, ao contrário do que aconteceu com Tribos, adorei A Farsa, as minhas filhas adoraram e passámos um serão a três muito bom.

A Sara Carinhas é um TALENTO! A Sara é toda ela expressão, toda ela arte, é absolutamente maravilhosa. Maravilhosa. Fiquei fã e adorei.

 

Lá está, não precisamos de ir ao Brasil buscar talento de palco. O palco está na génese portuguesa, os atores portugueses são de facto animais de palco. Mais uma vez se prova.

Que pena que se fale tão pouco de teatro em Portugal. Que pena que atrizes como a Sara Casinhas não sejam o mais conhecidas possível. Como é que é possível?

Parabéns Sara Casinhas. Na próxima atuação estarei lá. Porque só poderei sair maravilhada e cheia de emoção. Como saí de A Farsa.

 

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