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Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Eu e o mundo

As minhas impressões, opiniões e outras coisas acabadas em ões sobre o mundo, pelo menos o mais próximo de mim.

Lá se vai a teoria do “povo irmão”

“O Brasil foi explorado tantos anos por Portugal agora continuará sendo pelo PT! Não é à toa que a sigla de Portugal é PT! Eu votei Aécio”, escreveu a atriz brasileira Luana Piovani, no seu Twitter, alguns minutos depois de ser conhecida a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais brasileiras.

Uma frase muito interessante se prensarmos que sempre que um ator ou atriz brasileira, artista, etc., visita Portugal, as frases que escutamos nos discursos são invulgarmente: “Amo Portugal e os portugueses”; “É um povo maravilhoso, um povo irmão”; “Todo mundo me recebeu com o maior carinho”; “Me sinto em casa aqui”; “Tenho minhas origens em Portugal e sempre quis conhecer a terra do meu avô, bisavô, tetravô, tio, primo, etc”; “Me sinto português de coração”; “Quero muito voltar e conhecer melhor”; etc, etc, etc…

A própria da Luana declarou durante uma visita a Portugal: “'Adoro a comida e o carinho das pessoas pelo povo brasileiro”, afirmando também: “'Lisboa é um deslumbre, romântica e boémia ao mesmo tempo. Adoro a cerveja, as calçadas e a gente jovem sempre se cruzando”, e ainda sobre as praias: “'Adorei entrar na água. Sempre me disseram que a aqui é muito fria, mas eu não achei. Quando não é Verão, as praias do Rio de Janeiro são muito mais frias”.

Tadinha entretanto deve ter-se esquecido do que tinha dito e, no calor da derrota, deu a conhecer os seus verdadeiros sentimentos para com Portugal e o seu tão “amado” povo.

E isto é provavelmente o que todos eles pensam sobre os portugueses e são cínicos o suficiente para dizer exatamente aquilo que sabem que os portugueses querem ouvir.  Até porque se não o disserem como é que vão continuar a exportar as novelas, os cantores, os pacotes de férias e até vender as muitas casinhas que os “exploradores” portugueses têm comprado ao longo dos últimos anos no Brasil.

País irmão! Pffff!!! Que tristeza.

E para que não comecem os insultos, até concordo que os portugueses exploraram os brasileiros, como exploraram os angolanos, os moçambicanos, etc., aproveitando para ensinar alguma coisa pelo caminho, mas não vamos por aí. A escravatura é condenável em qualquer uma das suas formas, mas não foi uma invenção portuguesa, que eu saiba.

E continuando, eu já fui inúmeras vezes ao Brasil, onde sempre adorei ir e onde sempre me senti em casa. Até costumo dizer a brincar, que fui um erro de casting da cegonha, que era preguiçosa e me despejou no Alentejo só para não atravessar o oceano comigo no bico. Adoro o nordeste brasileiro e a forma como sempre fui recebida. Durante algum tempo sonhei que me reformava e ia viver definitivamente para lá, nunca mais tinha frio e podia ir todos os dias à praia. Era um dos meus sonhos, que entretanto, confesso já pus um bocadinho de parte. Não por causa da coisinha Luana, claro.

Sabem que mais? Continuem a ver novelas brasileiras, continuem a ir ver peças brasileiras com atores medíocres e textos fraquinhos, continuem a preferir cachaça a aguardente de medronho, continuem a comer picanha em vez de entrecosto, continuem… Tirando as novelas e as peças eu também vou continuar, seguramente.

Mas a verdade é que está na altura de também começarmos a valorizar o que é nosso e a defender o nosso nome. Porra, afinal não somos seres inferiores. Se somos tão maus porque raio é que esta gentinha quer tanto que vejamos o trabalho deles? Dá jeito não é? O euro dá jeito.

Não gostei mesmo nada da afirmação da Luana. E aposto que não fui só eu!

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